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ARTIGOS |
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Ensina-me a viver.
Marcos Alberto da Silva Pinto
*Texto escrito em 2001.
Ao
longo de minha vida profissional, de forma explícita ou não, tenho
ouvido isto durante vários atendimentos quando em seu início.
Num
mundo ágil, onde não podemos “perder tempo”, as pessoas que buscam
ajuda, ingenuamente (mas com todo o direito), esperam soluções
prontas, direcionamento e maneiras “certas” de viver. Buscam no
outro o melhor jeito.
Talvez
esta seja uma das explicações das vendas cada vez maiores dos livros
de “auto-ajuda”. Onde "profissionais" viram verdadeiros
"gurus", ensinando normalmente o óbvio, contudo colaborando para que a
pessoa se desvie cada vez mais de sua unicidade e de seu caminho.
Este é o assunto que desejo focar-me convidando o leitor a fazer uma reflexão a respeito. Não com o intuito de pôr um ponto final na questão, mas sim, com o interesse de provocar uma discussão.
Atenho-me
aqui ao psicoterapeuta, que ao meu ver, em função do papel que exerce,
deve estar atento para não induzir a falsa expectativa de
que a solução vem do outro.
Muitas
vezes para nos livrarmos da sensação de impotência ou para mostrarmos ao outro o nosso supremo “saber” nos iludimos através
do direcionamento, como se fossemos seres dotados de capacidades
superiores, e tivéssemos condições de direcionar ou responder, com
opiniões, técnicas ou crenças pessoais.
Para
nós psicoterapeutas é difícil abrir mão do poder, colocarmo-nos num
papel de facilitador, livrarmo-nos de nossos próprios rótulos, experiências,
pré conceitos e pré supostos e nos mostrarmos como pessoas presentes, compartilhando
com o outro, olhando através dos seus olhos, sem
encontrar soluções, apenas procurando facilitar condições
favoráveis para o outro se ouvir.
Através
da Abordagem Centrada na Pessoa, ganhamos condições de refletir e
perceber a armadilha que nos colocam para implicitamente mantermos um
padrão, uma fachada, um status, que comodamente nos alimenta.
Para
todos nós, que olhamos ajuda sob orientação centrada na pessoa, é
imprescindível que nos olhemos com honestidade.
Posso
verdadeiramente acolher, aceitar, não julgar, ser honesto, colocar-me
no lugar do outro?
Estas
são perguntas que talvez devam ser respondidas por todos aqueles que
desejam se aprofundar no estudo e atendimento tendo como refer6encia
a Abordagem Centrada na
Pessoa.
Desmitificando
os papéis. Aceitando a sabedoria antes do conhecimento, crendo na
capacidade do outro, dentro de condições favoráveis de buscar em si
suas soluções.
Crendo
na sua condição de criar a partir das propostas centradas na pessoa, o
seu jeito, e não no jeito ideal, que não existe como algo global.
Acreditando
que no fundo, todos nós, que escolhemos uma profissão de ajuda,
buscamos cada vez mais a nossa maneira de nos aperfeiçoar, para que
atinjamos nossa expectativa em colaborar, a nossa maneira, com o
crescimento das pessoa.
Talvez, sejam quebradas muralhas, e doa em nós, assumirmos que não temos condições de ensinar o outro a viver, mas talvez seja mas honesto estar ao lado da pessoa ajudando-a a aprender por si, o que é para se viver.
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